| Imagem: escreva.ai |
A gente fala - ou pensa, bastante nisso, mas a prática segue sendo avassaladora.
Um conhecido com filhos e empresa bem sucedido, uma conhecida viajando para vários países, pessoas malhando no meio da tarde, outras falando sobre carreira e sucesso profissional, ou comemorando a compra de um carro novo, ou a conquista da casa própria, ou com um celular novo, ou viajando pra aquele lugar incrível, ou tendo o casamento dos sonhos, ou se mostrando super realizada e com a vida encaminhada... bom, exemplo não nos faltará.
É ai que a gente perde o chão, os pés não sentem mais o nosso próprio chão. A gente sai da nossa realidade, da nossa vivência, da nossa história - e automaticamente se teletransporta para a vida do outro, e pior, para o frame da vida do outro.
Logicamente e racionalmente nem sentido isso faz. Mas para além disso, nós, que tendemos a nos comparar, vai para um lugar mental muito insano.
Esses dias, conversando com o amigo, tivemos aquele papo de adultos: "e ai, como anda a vida.. e as novidades?". Ele: "Nada demais.. comprei um carro novo". Eu: "pow, super novidade... eu realmente não tenho nada de novo sob o sol". E de fato, não tenho. Tenho andando em uma fase terminal, diria.
Esse ano fui demitida de um emprego que estava há 4 anos, encerrei um empresa recém iniciada, finalizarei a segunda graduação que tem sido meu "calcanhar de aquiles"... encerrar, encerrar e encerrar. Se isso for novidade, bem, temos (risos). Ta vai, eu casei, de uma forma super simples, civil e um almoço em família. Mas casei, eu queria esse momento e finalmente, o tive, mesmo que com orçamento baixo.
Fato é que.. tantos encerramentos me trazem a sensação de falta de sucesso. Aquele sucesso, que eu (e você) idealiza em dada fase da vida. Creio eu estar longe dele ainda. Mas pior, estar longe dele em um momento que tento entender dentro de mim qual é esse sucesso, onde ele estará e como chegarei a ele.
E ai, no meio de tantas questões, terapias e términos, a vida do outro, os frames da vida do outro, nos tiram dessa realidade pessoal. Nos tiram do contexto de cada um. Da história de cada um. Da minha vida.
Caminhos e decisões me levaram até aqui. Deveria eu talvez ter tido outros caminhos, sim, deveria ou poderia. Mas cá estamos, vivos, vivendo a realidade que existe... cabe a mim entender, separar o não cabe a mim mudar e focar no que só nós, dentro da nossa vida, conseguimos. Mais pé no chão, menos tempo nas redes.
Com amor, sua Lola.



