quarta-feira, 7 de dezembro de 2016

E você ALSASIR?


O avistou de repente, ao longe olha sua maneira estranha de portar, conversando com os amigos de sempre, rindo, batendo, em silêncio em poucas vezes. Tinha por volta de 1,81m, barba grande de mais para uma forma convencional, magro porém a combinação que lhe agradava. Começaram a conversar de uma forma diferente, mas sincera e divertida como nunca antes feita com alguém de sexo diferente.

Se aproximou dos amigos dele como uma esperança, estranha, de “segura-lo” para si. Divertida percebeu que não era tão difícil, os amigos eram mais simples de conquistar, que montar um quebra-cabeça de crianças de 5 anos, e assim foi com seu jeito moleca conquistando ele pouco a pouco. Se apaixonou como nunca antes, acreditou e confiou em palavras ditas em vão, como mais um relacionamento normal e humano o prazo de validade cessou, venceu, acabou e somente solidão ficou.

Continuou a admirar algo que não lhe pertencia, ao canto vendo-o de longe, conversando com os amigos de sempre, sofria sozinha pelo orgulho besta de achar que poderia ser “fria”, por tentar parecer alguém que jamais conseguira ser na vida. Não era para ela aquele papel, tentava se adaptar mesmo não sendo, achava que imitar o amigo implicante e frio dela, seria o suficiente. Aprendeu da pior forma que aquele fardo ela não poderia suportar, 6 meses para aprender a aceitar.

Hoje o vê passando, escreve textos, não sente nada demais e apenas mais um amigo no corredor da faculdade, os amigos dele ela ainda mantêm, com um deles mais contado do que outros. Tenta interpretar um novo papel, o que ela sempre tinha que ter feito, a moça amável e super apaixonada por carinho, ainda difícil de aceitar opiniões alheias, porém um pouco mais madura que antes.


Holmes

terça-feira, 6 de dezembro de 2016

Vamos, dorme...


Tentava entender porque não pensava em outra coisa, queria aquilo mais que tudo, era sempre o centro dos seus pensamentos. Vai, foco garota, termina de passar esse rímel, decide qual blusa vai usar logo, pega o colar que sempre usa e o relógio que nunca tira, argh.. o batom, sempre o batom a fazia atrasar mais alguns minutos, pra variar, ela sempre estava atrasada. Não queria ser reconhecida por tal característica, mas como, a prática se repetia, não tinha como fugir. 

No trabalho, email novo na caixa de entrada, era ele, seu amigo que sempre estava ali, estavam acostumados a conversar por email, ele sempre tinha os conselhos mais doidos e se compartilhavam conversas que só tinham entre eles. Gostava disso. Meia antes de ir embora, ela corria pra terminar de ler os textos dos blogs que sempre acompanhava. 5 minutos, terminou, corre, arruma as coisas para ir embora, sempre atrapalhada. A pauta era sempre a mesma. A rotina doida do dia, preocupações e mais preocupações e os planos, os planos com os quais ela sonhava... adormeceu no ônibus, pra variar, o cansaço era visível.

Próximo a parada de casa despertava, e pensava nas coisas de sempre, como era planejar a vida de fato? as vezes seu maior medo e o mais corriqueiro planejamento, o que demandava mais tempo, o que pedia maior atenção. Mas não era só de pensar, tinha que escrever, e assim vazia. Só conseguia visualizar as coisas assim, no papel, nada de bloco de notas. Nunca de adaptou as tecnologias básicas como essa. 

"Porque eu tinha de ser?", era assim que sempre se questionava. Tinha o péssimo hábito de se comparar as pessoas, ela queria sonhar com coisas normais, queria ser pé no chão, mas sempre se pegava pensando em outras coisas, em outros planos. Final de tarde, tentava terminar seu livro, o 5º da série que terminará em breve, um romance, perdia alguns minutos no celular, checava as mensagens, a semana seguia uma rotina atual de férias.

Vamos, dorme... esquece a história, pare de imaginar como será o final. Mais planos.. tira o travesseiro, que agonia, não conseguia se acostumar a ele, sempre alto demais, preferia o plano do colchão. Isso, agora sim. Sonhar, sonhar com sonhos imprevisíveis, e pra variar, pensar na sua próxima viagem, tinha o desejo que isso se tornasse parte quase de interina da sua vida, isso, isso ai garota, isso também pode ser manter os pés no chão. Dizem que as coisas que mais tiram seu sono, são no final seu maior sonho. Pare de pensar, você precisa dormir menina...

Lola

segunda-feira, 28 de novembro de 2016

Uma volta estranha

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Apesar da mesa cheia, ela estava calada, fato curioso, já que sempre falava muito. Era uma das suas principais caracteristicas, conversava com vontade, se mostrava interessada de fato nos assuntos. A sorveteria estava cheia demais naquele dia, na mesa estavam juntos 3 de seus melhores amigos, que mantiam a conversa mesmo com ela flutuando em uma outra dimensão de pensamentos. Qualquer pessoa que a conhecesse minimamente saberia que os pensamentos a deixavam muito distante dali. Estava sentada com as pernas em cima da cadeira, nada de jeitinho moçinha, os tênis de sempre compunha seu estilo e os cabelos sempre soltos.

Só conseguia pensar no que tinha acontecido há  um tempo atrás, as lembranças quase a tiravam do lugar. Era janeiro de 2014, quando tudo começou, algum dia partindo para segunda quinzena, não lembra ao certo, mas tanto faz, não era muito apegada a datas. Eram férias, ainda faltavam alguns dias para aproveitar, sem a loucura que seria o próximo semestre na universidade, não tinha dado tempo de sentir falta ainda, talvez um pouco de alguns colegas, mas somente. 

Quando eles começaram a ficar, ela se mantinha firme, a certeza era clara: não ia passar daquilo. Tinham o costume de conversarem quase sempre, falavam muito sobre música e faculdade, já que ele cursava o mesmo curso que ela. Com o passar do tempo mantiveram essa amizade colorida, ficava feliz e sentia sempre uma ansiedade extra quando iam se ver, encontros esses que passaram a ser mais frequentes, e intimos, diria. 1, 2, 3 meses... e ainda estavam no esquema. Ela, ainda firme. Negando todo e qualquer sentimento. 

Aquilo durou mais do que imaginou, foi mais além do que pensou ser possível, e aconteceu o mais óbvio que podia ter acontecido, ela se apaixonou. Como toda boa história, aquilo para ele nunca passou daquilo que era no início, amizade colorida. A praxe que mantinha a relação, na frente dos outros eram meros conhecidos, conversavam, mantinham a ordem e harmonia básica. A sós, eram fogo, uma proximidade e intimidade que mal podiam acreditar. Um ano e dois meses se passaram nessa brincadeira, e acabou quando ele decidiu por um fim. 

Mas o que o desfecho do caso que ela não conseguia tirar da cabeça naquela tarde, era o fato do que tinha acabado de acontecer dois anos depois. Já havia esquecido tudo que aconteceu, a sua primeira paixão havia passado como se nada tivesse acontecido. Toda raiva, sentimentos e tristeza do fim nem faziam mais diferença na sua vida. Mas quando aquela mensagem chegou, não sabe explicar, mas algo ficou estranho, ela não conseguia responder, e mal conseguia assimilar a informação. O seu noivado ia de fato acabar... Ele tinha a convidado, tinha mesmo, era real. Ela não pensava mais nele, mas aquele convite parecia inacreditável. Era perdida nesses pensamentos que estava ao longo da semana, depois de tudo e todo esse tempo a ideia de ir ao casamento dele... 


Lola

sexta-feira, 25 de novembro de 2016

O Skate de Terno


Ele era um garoto “sem futuro”, gostava de andar de skate o dia todo, tatuagem nos braços, boné aba reta, as gírias de sempre, os machucados no joelho de praxe, apenas mais um ócio do ofício, exatamente aquele cara que você evita na rua por volta das 22:00 horas. Mas independente de tudo ele carrega seu sorriso. Ela, o oposto, estudiosa, certinha, focada em passar em um concurso, ama sorvete de casquinha e pipoca, daquelas do cinema com muita manteiga. Nunca o evitava na rua, passava pela pista de skate apenas para ver o olhar dele a seguir sem se incomodar, na verdade ate mais por gostar.

O namoro deles começou meio que sem jeito, de uma forma estranha demais, depois de seu skate acerta-la na canela de uma forma que arrancou sangue, como pagamento a levou em uma sorveteria e dali, as saídas se tornaram frequentes cada vez mais. Encontros “sem querer” na rua, aconteciam todos os dias, mesmo contra os pais dela que não admitiram aquele namoro “sem futuro”, aquele “mala” não era o suficiente para sua filha.

Ao passar dos meses o skate ficou mais de lado, supletivo foi realizado, algumas tatuagens retiradas e uma forma mais sociável foi aderida por ele. Ela ficou mais solta, mais brincalhona, aprendeu a andar de skate e ate arriscou uma tatuagem, mesmo que pequena, no pulso só para “diferenciar”. Conseguiu o concurso que almejava e convenceu seu namorado a tentar uma vaga de trabalho, o terno era estranho em seu corpo, o moleque despojado deu lugar a um quase executivo de terno com seu sorriso de sempre.

Eram estranhos ao olhar dos outros, porém incríveis aos seus, a mudança era necessária e na vida profissional como se era de esperar ficaram distantes, ela cada vez mais a cima e ele fixado no mesmo trabalho, conheceram novas pessoas, alguns mais interessantes que os outros. Hoje ele se lembra dela com carinho, não a vê mais, mudou para outra cidade, começou uma família com algum executivo que conheceu, ele continua na empresa com alguns cargos acima de que quando entrou porém feliz e satisfeito, a caminho do trabalho vê o skate jogado em um canto e relembra aqueles velhos tempos, dos pequenos encontros e troca de olhares singelos, da menina que o ensinou a vestir um terno.


Holmes

quarta-feira, 16 de novembro de 2016

O café das 18 horas

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Olhando para o céu nublado daquela manhã tristonha, aumentava o som do carro para ignorar o barulho do engarrafamento lá fora. Pensa em sua esposa de 15anos de casados e em como não estavam mais em sintonia há muito tempo, não conversavam mais, não se beijavam mais, não faziam amor com sentimento mais, apenas e unicamente por uma vontade carnal, mas ainda lembrava-se dela com gentileza.

Chegando ao trabalho se isola em sua sala onde apenas e unicamente sua secretaria tinha o direito de entrar. Secretaria, a mesma que se vestia cada vez mais sensualmente com decotes generosos enfatizando seu busto, saias mais curtas, o bastante para despertar pensamentos mais ousados. As indiretas estavam ficando cada vez mais difícil de ignorar, conversas e brincadeiras ate mesmo alguns apelidos carinhosos. Já sabia que todos os diretores tinham amantes, era normal, comum, quase um padrão deles, então porque ele não? O que lhe impediria?

Especialmente naquele dia, ela veio estonteante, como um anjo entrando na sala vinha carregando consigo alguns relatórios de praxe. A troca de olhares foi intensa, não dava para negar ambos já estavam interessados um no outro, com apenas poucas palavras ele disse onde se encontrarem: Centro da Cidade, após o trabalho, na Cafeteria Thompson.

18:00 horas fim de expediente, ele entra em seu carro e parte em direção do centro naquela tarde chuvosa. Ao entrar na cafeteria, já ouvi seu nome gritado pelo barman, já era conhecidos lá pelos seus 15 anos de fidelidade, se senta com um sorriso no rosto como nunca visto antes, a conversa flui com gentileza a troca de toques entre as mãos de ambos é carinhosa, como se tivessem nascido para aquilo, como se o destino de ambos era aquele. As gargalhadas são silenciadas pelo tão esperado caloroso beijo, visto por todos na cafeteria, inclusive por sua secretaria, sentada na mesa do outro lado assistindo ele ir embora com sua esposa para mais um dia com sua família.

Holmes

sábado, 12 de novembro de 2016

Sentir é um caos


Se apaixonar é algo bem louco, e bem injusto na verdade, você leva sua vida normalmente, quando de repente, numa quarta-feira chuvosa de dezembro você conhece alguém, que mexe contigo de um jeito que ninguém nunca mexeu e te faz sentir coisas que nunca antes sentiu, e aí já era meu amigo... fica indefeso a esse sentimento, rendido, não tem escolha, gosta e pronto. A paixão não pergunta se você tá preparado, não pergunta se você quer, ela é abusada, insolente, subversiva, chega arrombando a porta, insiste em estar ali, mesmo que não seja bem-vinda, ela resiste, é praticamente uma praga, não é atoa que deriva do grego "Pathos", que significa patologia. É doentia, sintomática, causa taquicardia, sudorese, pernas bambas, mãos frias, mas infelizmente não passa se tomar remédio, pode ingerir cartelas de paracetamol, beber vidros de dipirona, que não cura. 

A paixão gosta é de fazer zona, gosta é do estrago, bagunça tua cabeça, faz você começar a duvidar das tuas convicções, se contradizer, desorganiza teus sentimentos, parece que faz questão de colocar uma interrogação em cada coisa que antes era uma constatação. A paixão tem seu lado bom, tem seu lado bonito, mas é difícil falar sobre ele quando só lhe foi mostrado o seu pior lado, quando parece que pegaram teus pensamentos e deram um nó, quando teu coração foi transformado na própria sucursal do inferno, é complicado enxergar o lado romântico de um sentimento que junto com os sorrisos, o brilho no olhar e o coração acelerado, também trouxe as lágrimas, a gastrite e a ansiedade. Mas que apesar de toda confusão, decepção e desespero que a paixão possa te causar, que não lhe falte esperança, que você consiga seguir em frente, que você permita que um dia ela lhe apresente o seu lado bom e que você se permita.


Ps: esse texto está totalmente o contrário do texto anterior por motivos de: estava apaixonada e me ferrei, muito.

Scarlet

quarta-feira, 9 de novembro de 2016

O buquê no metrô



Já era tarde, voltando do trabalho lembra de todos os seus erros na noite passada, a desconfiança, a raiva, o medo e acima de tudo o pré-julgamento. A briga durou mais tempo do que ambos imaginaram, alguns tapas à mais do que previam.

Como uma enxurrada de lembranças ele é atacado enquanto olha seu reflexo abatido no vidro do metrô. Relembrar todos aqueles 2 anos de namoro, tudo que viveram anteriormente, do dia do primeiro beijo, das conversas engraçadas no whatsapp, da primeira vez que ficaram sozinhos dentro do carro vendo a chuva cair no vidro apreciando aquela tensão no ar ate ela se jogar em cima dele. Dos pequenos e breves momentos de caretas que um fazia para o outro no ônibus, ouvir musica dividindo o mesmo fone de ouvido no metrô, e como não relembrar a primeira vez? e depois de cansados ouvir as 3 mais lindas palavras que se pode ouvir, um simples e singelo: Eu te amo. 

Tudo aquilo ignorado no calor do momento, por uma mensagem recebida no celular dela, nada de mais, apenas um "Ta ocupada?" foi o bastante para tira-lo do serio. "Que tolo" repetia a se mesmo, alto o bastante para as pessoas ao seu lado ouvirem e como uma calmaria resolveu pedir suas desculpas, foi assim que ele parou no metrô com um buquê de rosas vermelhas, as preferidas dela. Já não se contia mais, era uma surpresa de pedidos de desculpas a distancia para chegar na casa dela e sentir o calor do abraço, o doce dos beijos parecia ficar maior a cada instante ate o momento que se depara com o portão de sua casa.

Quase como um maluco descontrolado pula o muro, e entra de mansinho, escuta a tv ligada no clássico canal que ela sempre o obrigava a ver junto. Adentra a sala e parte para o quarto dela, todas as lembranças naquele corredor, os risos na sala de estar, as receitas feitas na cozinhas tudo de uma vez, despertam o sorriso no rosto de quem só quer amar. 

Amar, ate adentrar no quarto e ver sua namorada na cama com o rapaz da mensagem. "Ta ocupada?" era a unica frase que rodava a sua mente, como um sino de igreja badalando na hora da missa, não havia explicação ou um simples "perdão". Voltando ao metrô com seu buquê de rosas vermelhas na mão, relembrando a cena de sua namorada, gritando com ele para perdoar, que aquilo era recente, que não queria machuca-lo, repete a si mesmo "Que tolo" alto o bastante para as pessoas ao seu lado ouvirem.

Holmes