Me ame ao menos uma vez. Pode ser?

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Início do ano letivo de 2005, 4º série (naquela época não tinha isso de anos, tudo era série), eu conheci meu primeiro amor. Ela era linda, mais alta que eu uns 10cm/15cm, nesse tempo as garotas sempre são mais altas que os garotos, tinha o cabelo moreno e olhos levemente puxados, seu nome era Fernanda, como esperado ela não me dava a menor bola. 

Eu não teria chances, ela era a garota da sala e eu o novato desconhecido, mas fui apaixonado por ela até a 7º série, incondicionalmente. No meio desse período ficamos amigos, brigamos muito, paramos de nos falar seriamente durante 5 meses (da sexta para sétima série). Lembro como se fosse hoje quando o professor de matemática nos tirou de sala e disse que iria fazer o mapeamento, 1 por 1 nossos colegas foram entrando na sala, ficou somente Fernanda e eu do lado de fora e duas cadeiras vazias (uma atrás da outra exatamente) ambos olhamos para o professor e falamos: EU NÃO SENTO PERTO DELE  (A). 

Ele sabia que eu era apaixonado por ela, mesmo estando com raiva incrível, ele nos forçou a sentar, e todo dia tínhamos que nos cumprimentar com um singelo "Bom dia", era algo torturante para um garoto de 12 anos com coração quebrado, apesar da raiva o professor estava certo no final e voltamos a ficar amigos, inseparáveis, um ao lado do outro sempre, ganhamos o título de casal da escola (mesmo não sendo um). 

Uma semana antes de acabar o ano a Fernanda veio falar comigo triste, dizendo que mudaria de escola e aquele seria o último ano dela. Fiquei completamente arrasado, meu primeiro e único amor ia embora, a minha melhor amiga não estaria ali para me apoiar como sempre. Então falei que no último dia precisava fazer um pedido para ela, ela sorriu alegre (ama surpresas), então comprei uma caixa de bombons e implorei para minha mãe me permitir ir de tênis branco para escola (o único quê eu tinha, eu amo tênis branco e minha mãe sempre reclamava de usar pois suja muito). Quando cheguei na escola ela estava lá sentada no banco de sempre, então entreguei a caixa e comemos juntos - eu já era da altura dela naquele momento -, passamos o dia juntos, quando era 11:50 eu ia me declarar, nesse mesmo momento ela me abraçou e disse: "Eu te amo, como um irmão que nunca tive." 

Foi como descartar um pente de dez balas nas minhas costas. Eu a beijei na testa e falei a primeira coisa que veio a minha cabeça: "o que eu tinha para falar é, não esqueça de mim na católica" (era a escola que ela ia se transferir, por ironia do destino estou me formando na escola que odiei um dia), virei minhas costas e fui para o carro. Naquele 1 de Dezembro de 2008 eu disse adeus para a garota que me ensinou a gostar de chocolate (algo que eu odiava), que após quatro anos estudando com ela finalmente ela tinha aceitado ser meu par na festa junina, a menina que juntos conquistamos o prêmio para a sala de "Garoto e Garota Juninos". 

A primeira menina que me disse na vida "Eu te amo" e que quando cheguei em casa me sentia o Batman, eu virei as costas para tudo que me fez feliz durante quatro anos, e quando ela me procurou no MSN eu disse que nunca mais iria querer vê-la e que sumisse da minha vida, que ser amigo dela aquele ano foi a pior decisão da minha vida. 

Como um menino eu fiz uma das maiores cagadas da minha vida e até hoje colho os frutos dela. Ainda vejo a Fernanda nos corredores da faculdade, nos cumprimentamos, mas eu sempre me pergunto como seria se eu não tivesse sido um babaca. Não sei e nunca vou saber. É por isso que hoje eu sempre penso duas vezes nos meus atos, porque como diz Willian Shakespeare: "Um dia você aprende que pode fazer coisas em um instante, das quais se arrependerá pelo resto de sua vida".

Holmes

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