Uma última carta pra você

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"Hey baby,

Parece que foi ontem... Quanto tempo, e olha que ele anda passando rápido mesmo. Você sabe, eu e a minha mania de ser apegada a datas. Eu contava as semanas, os meses, guardava todas as datas e sempre gostava de falar isso. Nunca soube se para você parecia apego exagerado, mas acredite, era uma parte muito verdadeira de mim. Eu gostava dos detalhes que nos fazia tão próximos. Hoje acho que não é tão bom guardar eles. Já escrevi muito aqui no blog sobre coisas que sinto relacionadas a ti, essa carta é a primeira e última, não se faz necessário outra. Talvez nem essa se faça, no final.

Eu acho que no fundo se pudesse voltar no tempo evitaria te olhar naquele ônibus. Apesar do quão engraçado foram as coisas depois, até as piadas sobre como foi. Bem.. Eu gostava quando você queria estar perto. Lembro da última vez que ficamos até mais tarde conversando perto da quadra, naquele cantinho de sempre. A gente até podia ter ido embora mais cedo, mas aquele dia você disse exatamente assim: "estou tentando dar prioridade as coisas que quero fazer, e eu quero ficar com você". E lá ficamos, ignorando o tempo por mais minutos juntos e a sós. 

Lembra a primeira vez que fomos embora juntos depois do fim? eu fiquei completamente sem jeito. Não sabia como te olhava estando tão perto. Não sabia onde colocava minhas mãos que normalmente estariam juntas com as suas. Mal sabia como posicionar as minhas pernas, afinal elas sempre estavam em cima das tuas antes, uma mania que peguei logo do início. 

Sabe, sempre que entro na faculdade olho o banquinho que ficamos conversando no dia do beijo (literalmente), foi uma conversa engraçada, aquele dia em si foi engraçado. E agora é mais uma data para não te esquecer. Eu sentia que podia estar por perto sempre. Nunca quis ser chata, grudenta ou ciumenta. Pelo contrário, me descobri bem menos ciumenta do que achava que podia ser estando com alguém. 

Sabe que gosto de lembrar do primeiro dia que ficamos de fato, toda aquela coisa, aquela espera, incluindo por parte dos nossos amigos. A alegria que estavamos. Você me repetia isso, o quanto estava bem e como já queria ter feito aquilo. Foi bom sabe.

Descobri como teorias podem nos ajudar. Como conversas virtuais podem atrapalhar. E sabe uma coisa que descobri também, eu não estava apaixonada por você, apesar de ter comentado uma vez contigo sobre. No final, o sentimento não era esse, mas hoje percebo que consigo indentificar qual é de fato, é algo menos momentaneo e eletrico, é calmo e bem mais simples que paixão. 

Eu queria ter ficado mais tempo. Eu não queria ter saido assim. Queria que você quisesse ter ficado mais, pronto, essa é a verdade. Queria que os textos que você me mandava fossem aquilo que de fato sentia. O último deles, lembro exatamente o que falava: "gosto de ser sozinho, sempre me dei bem sem companhia, mas é tem coisas... sei lá, que parecem que foram feitas pra dividir com você." era mais ou menos na hora do almoço, você mandou do nada, num horário completamente aleatório do de costume. 

Hoje acho que você só mandava essas coisas porque gostava dos textos dele, o que não julgo, de fato são incríveis. Mas... sabe. Pareciam uma coisa a mais. Eu não sei como isso foi acontecer, como fui te conhecer na droga daquele ônibus sendo que nunca tinha lhe visto em nenhum corredor antes, ou por meio de qualquer amigo em comum que temos. Eu nunca vou entender a merda de foi isso tudo. Mas é isso, essa é a carta mais útil que vai existir, nunca vai chegar ao destinatário. Eu só queria escreve-la, deve ser mais uma prova do quão coração é uma coisa trouxa.


Com meu coração. Essa é a carta que nunca te escrevi, de coisas que nunca admito, mas que decidi que será a última."


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