Uma volta estranha

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Apesar da mesa cheia, ela estava calada, fato curioso, já que sempre falava muito. Era uma das suas principais caracteristicas, conversava com vontade, se mostrava interessada de fato nos assuntos. A sorveteria estava cheia demais naquele dia, na mesa estavam juntos 3 de seus melhores amigos, que mantiam a conversa mesmo com ela flutuando em uma outra dimensão de pensamentos. Qualquer pessoa que a conhecesse minimamente saberia que os pensamentos a deixavam muito distante dali. Estava sentada com as pernas em cima da cadeira, nada de jeitinho moçinha, os tênis de sempre compunha seu estilo e os cabelos sempre soltos.

Só conseguia pensar no que tinha acontecido há  um tempo atrás, as lembranças quase a tiravam do lugar. Era janeiro de 2014, quando tudo começou, algum dia partindo para segunda quinzena, não lembra ao certo, mas tanto faz, não era muito apegada a datas. Eram férias, ainda faltavam alguns dias para aproveitar, sem a loucura que seria o próximo semestre na universidade, não tinha dado tempo de sentir falta ainda, talvez um pouco de alguns colegas, mas somente. 

Quando eles começaram a ficar, ela se mantinha firme, a certeza era clara: não ia passar daquilo. Tinham o costume de conversarem quase sempre, falavam muito sobre música e faculdade, já que ele cursava o mesmo curso que ela. Com o passar do tempo mantiveram essa amizade colorida, ficava feliz e sentia sempre uma ansiedade extra quando iam se ver, encontros esses que passaram a ser mais frequentes, e intimos, diria. 1, 2, 3 meses... e ainda estavam no esquema. Ela, ainda firme. Negando todo e qualquer sentimento. 

Aquilo durou mais do que imaginou, foi mais além do que pensou ser possível, e aconteceu o mais óbvio que podia ter acontecido, ela se apaixonou. Como toda boa história, aquilo para ele nunca passou daquilo que era no início, amizade colorida. A praxe que mantinha a relação, na frente dos outros eram meros conhecidos, conversavam, mantinham a ordem e harmonia básica. A sós, eram fogo, uma proximidade e intimidade que mal podiam acreditar. Um ano e dois meses se passaram nessa brincadeira, e acabou quando ele decidiu por um fim. 

Mas o que o desfecho do caso que ela não conseguia tirar da cabeça naquela tarde, era o fato do que tinha acabado de acontecer dois anos depois. Já havia esquecido tudo que aconteceu, a sua primeira paixão havia passado como se nada tivesse acontecido. Toda raiva, sentimentos e tristeza do fim nem faziam mais diferença na sua vida. Mas quando aquela mensagem chegou, não sabe explicar, mas algo ficou estranho, ela não conseguia responder, e mal conseguia assimilar a informação. O seu noivado ia de fato acabar... Ele tinha a convidado, tinha mesmo, era real. Ela não pensava mais nele, mas aquele convite parecia inacreditável. Era perdida nesses pensamentos que estava ao longo da semana, depois de tudo e todo esse tempo a ideia de ir ao casamento dele... 


Lola

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