Oportunidades de um novo


Já era quase 17h, tinha horário marcado às 17h30 no centro da cidade, corria de um lado para o outro, tinha que estar bem, uma escova rápida no cabelo, delineado básico, casaco preto, chave do carro, tranca a porta, calma, bolsa, agora sim,  por fim chave do carro.

Biiiibiiii... 

Sinal verde e ela ainda estava parada, estava ansiosa, na rádio tocava John Mayer, como não tira-la da realidade?! amava ouvi-lo. Conseguia se distrair facilmente assim, era simples, sem receita. Naquela sexta tinha pedido para sair mais cedo do trabalho, sua chefe era tranquila, e pelo bom comportamento de sempre não restringiu o pedido. Ela havia adiantado todo o trabalho para conseguir o beneficio, as 2 revisões do dia tinham sido feitas no período da manhã, um livro de contos e outro de guerra baseados em fatos reais, um dos estilos que mais amava. Ela fazia com gosto, aquele era o emprego dos sonhos, ainda mal conseguia acreditar que havia conseguido a vaga na editora Lopes como leitora, para revisar os exemplares antes da publicação e impressão final. 

No centro, assim que desce do carro em frente a loja de churros, manda a mensagem: "cheguei, cadê você?", no mesmo momento a resposta: - "mesa da esquerda, atrás da pilastra verde". O lugar tinha pilastras de 4 cores diferentes, sempre escolhíamos a verde ou azul, ambas nossas cores preferidas, respectivamente. Era nosso código para  escolha do lugar. Entrei e o cumprimentei, ele estava com os cabelos soltos, ah se ele soubesse como eu amava aquilo, sempre tive certo fetiche por homens de cabelo grande. Conversamos um pouco e ele pegou o livro que eu havia levado, era hábito carregar um, quando o papel caiu me lembrei na hora que era uma anotação não tão antiga.. peguei da mão dele, sem muito alarme, e pedi que ele buscasse os churros, escolhi a bebida também. 

O papel com 3 dobraduras dizia...

"Meu coração não acelera mais, mas você ainda me incomoda. Já não sinto mais tanto tua falta, mas ainda sinto ciúmes. Já me acostumei com a distância, mas quando você fica online ainda fico olhando pro teu contato, como se tivesse a pouco segundos de poder falar contigo normalmente. Já não penso mais em ti todos os dias, ou o tempo todo, mas ainda não esqueci completamente. Consigo ver os defeitos, mas as qualidades ainda superam. Já te esqueci, mas ainda penso como poderíamos estar hoje em dia. Eu ainda acho que gosto de ti, quando não estou nem apaixonada. Desvio o olhar, mas ele te segue quando você passa. Ainda ouço a mesma banda, e ela ainda lembra você. Isso é coração? se for, alguém avisa que ele é doente e idiota. E completamente sem noção, claro."

Qual era a ideia principal, escrever e guardar aquilo pra sempre ou entregar a ele? guardar, claro, era a voz da sua consciência. Sã consciência ajuizada. Como podia ainda escrever aquilo estando tão bem, como podia ainda sentir aquilo estando tão feliz aonde estava. Era loucura, só podia ser.. era passado, passado se enterra, não se escreve. "Qual tamanho do refri, amor?", desperta dos pensamentos, guarda o bilhete e responde.. foco na oportunidade da vida, era o que costumava se dizer quando as lembranças dele voltavam, sentimentos precisam morrer. 


Lola

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